Saúde

Prestação de contas do 2º quadrimestre, feita em audiência pública na Câmara de Vereadores, mostra avanço nos atendimentos da Atenção Primária e um obstáculo recorrente: pacientes que marcam consulta e não aparecem

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Pato Branco levou à Câmara Municipal de Vereadores, nesta sexta-feira (25), o balanço do que foi arrecadado e investido em saúde pública entre maio e agosto. A audiência pública, aberta à comunidade, serviu para prestar contas do 2º quadrimestre de 2026, mas também para chamar a atenção para um problema que já incomoda há algum tempo a gestão municipal: o alto número de faltas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos serviços especializados.

 

Mais de R$ 184 milhões investidos até agosto

Os números mostram o tamanho da estrutura da saúde pública no município. De janeiro a agosto, o Fundo Municipal de Saúde já havia empenhado R$ 184.623.738,53, sendo que, somente no 2º quadrimestre, esse valor somou R$ 92.014.811,99, quase metade do total do ano. A maior parte desse dinheiro foi destinada a custear a operação e a manutenção dos serviços de saúde no dia a dia.

 

Do lado da receita, o município arrecadou R$ 54.234.861,32 entre maio e agosto, o que elevou o acumulado de 2026 para R$ 88.110.564,41, um salto de 60,1% em relação ao primeiro quadrimestre do ano. Boa parte desse dinheiro não vem do próprio município: 82,8% dos recursos são federais e outros 13,6%, estaduais.

 

O problema que incomoda: consultas marcadas, pacientes que não aparecem

Enquanto os investimentos crescem, a Atenção Primária também tem apresentado números expressivos: foram 69.121 atendimentos individuais e 274.685 procedimentos realizados entre maio e agosto. Mas há um contraponto que a Secretaria fez questão de destacar na audiência: uma parcela significativa dessas vagas simplesmente não é aproveitada, porque o paciente agenda e não comparece.

 

Na Atenção Básica, essa taxa de absenteísmo variou bastante ao longo do quadrimestre e cresceu mês a mês. Em maio, de 8.091 consultas agendadas, 1.331 pacientes faltaram (16,45%). Em junho, foram 1.502 faltas entre 7.946 agendamentos (18,90%). Em julho, o índice disparou: 1.990 faltas em 8.024 consultas, ou 24,80%. Em agosto, o número de agendamentos subiu para 8.632, com 1.945 faltas (22,53%).

 

A odontologia da Atenção Primária sentiu o problema de forma especialmente dura, com 2.204 faltas registradas no período. As unidades mais afetadas foram a UBS do Bairro Industrial (304 faltas), a UBS Alvorada (281), a UBS ESF Central (212), a UBS Bortot (202) e a UBS São Cristóvão (196).

 

Para a secretária municipal de Saúde, Márcia Fernandes de Carvalho, o impacto vai além da estatística. “A ausência sem aviso prévio prejudica o fluxo das unidades, aumenta as filas de espera e impede que outros cidadãos que necessitam de atendimento sejam encaixados nos horários vagos”, afirmou. Ela chamou a atenção ainda para um detalhe: parte dessas faltas ocorre justamente em especialidades que o município contrata com recursos próprios para suprir demandas específicas, o que torna o desperdício de vagas ainda mais sensível, já que a oferta existe, mas não é aproveitada.

 

Equipes bem avaliadas pelo Ministério da Saúde

Nem tudo na audiência foi sobre desafios. A Secretaria também apresentou um resultado do Ministério da Saúde referente ao 1º quadrimestre de 2026, divulgado recentemente: todas as equipes da Atenção Primária à Saúde de Pato Branco foram classificadas como “Bom” ou “Ótimo”; nenhuma ficou nas categorias “Regular” ou “Suficiente”.

 

Diante do cenário de faltas, a Secretaria reforça um pedido simples à população: manter os dados cadastrais atualizados nas UBS e avisar com antecedência quando não for possível comparecer a uma consulta ou procedimento agendado. Segundo a pasta, esse gesto ajuda a liberar vagas para quem realmente precisa e torna a gestão da saúde no município mais eficiente.

 

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