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Notícia

Secretaria Municipal de Assistência Social de Pato Branco alerta para casos de violência contra crianças e adolescentes

Risco de maus tratos e abuso sexual aumenta durante período de isolamento social

Em paralelo com as ações realizadas e medidas tomadas pela Prefeitura de Pato Branco para o enfrentamento à pandemia do Coronavírus (COVID-19), a Secretaria Municipal de Assistência Social reforça a preocupação com a maior exposição, durante este período, de crianças e adolescentes ao risco de sofrerem violência e abuso sexual, aliado à importância de que as pessoas utilizem os canais disponíveis para efetuar denúncias, nos casos em que sejam observados indícios de agressões e violações.

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 70% dos casos de maus tratos e violações infanto/juvenil (compreende-se até os 17 anos) acontecem dentro das residências. Neste sentido, a Prefeitura de Pato Branco, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, disponibiliza os serviços do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), instituição que atende demandas de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de seus membros em situação de ameaça e violação de direitos, por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI).

De acordo com a psicóloga do CREAS, Sarah Cristina Kusma da Luz, as escolas são a porta de entrada da maioria das denúncias de violência contra crianças e adolescentes, por conta da relação afetiva e de confiança construída entre a criança e os professores, o que privilegia esta relação como depositário também de revelações de violência. “Neste momento ímpar em que estamos vivendo, a pandemia do Coronavírus, o distanciamento social, o fechamento das escolas, acaba por afastar as crianças de uma rede social de apoio. São essas pessoas que, em geral, notam sinais de que algo errado está acontecendo e conseguem ajudar as crianças a vencerem o silêncio e receberem o auxílio de que necessitam”, afirma Sarah.

Como reflexo disso, a tendência é que as denúncias sofram redução, o que já está sendo observado. A coordenadora da Proteção Social Especial, Tânia Raber Bertelli, relata que a equipe especializada do CREAS, frente a este novo cenário e conhecedora da realidade das famílias e indivíduos atendidos por meio dos programas da Secretaria Municipal de Assistência Social, tem feito o cruzamento dos dados e percebeu uma considerável diminuição das denúncias. “E frente a esse dado é que paira uma desconfiança de que os agressores estão protegidos pelo silêncio das vítimas.”

Como saber que uma criança ou adolescente está sofrendo violência?

As suspeitas de violência e abuso podem ser informadas aos canais de proteção mesmo que as pessoas não tenham certeza de que efetivamente estejam ocorrendo. A partir disso, serão tomadas providências para apurar as situações, de modo a proteger estas crianças e/ou adolescentes, com os cuidados necessários para que não sejam cometidas injustiças. “Uma orientação para quem é leigo, consiste em observar a rotina, pois qualquer mudança de comportamento fora do habitual, como permanecer muito tempo sozinho (a), em silêncio, fugir do olhar, ter atitudes agressivas, tristeza, choro sem motivos aparentes, pode ser indício de algum desconforto ou sofrimento velado e deve ser tratado com cautela pelo responsável ou pela pessoa próxima para que o atendimento seja imediato”, orienta Tânia.

Segundo a psicóloga do CREAS, neste momento, é de fundamental importância que a família, os vizinhos, os profissionais de saúde e a comunidade, estejam atentos e sensíveis para as possíveis necessidades que as crianças tenham, e que denunciem sempre que suspeitarem de violência contra crianças e adolescentes. “É um grande desafio para uma criança vítima de violência sexual, por exemplo, romper o silêncio e revelar a situação abusiva a uma pessoa de sua confiança. Por isso é muito importante estar sempre disponível ao diálogo, atentar-se aos sinais, e oportunizar um espaço de fala para a criança. Este momento intensifica nossa responsabilidade na proteção daqueles que, por sua peculiar condição de desenvolvimento, possuem menor condição de defesa”, pontua Sarah.

A relevância do CREAS no atendimento às vítimas e familiares

No município de Pato Branco, as situações de violência contra criança e adolescente são encaminhadas pelo Conselho Tutelar e Poder Judiciário para o CREAS. A partir do encaminhamento os indivíduos e famílias são inseridos no PAEFI – Programa de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos.  “O PAEFI é um serviço voltado para pessoas e famílias que estão em situação de risco social ou tiveram seus direitos violados. Este serviço oferece apoio, orientação e acompanhamento para a superação destas situações por meio da preservação e fortalecimentos dos vínculos familiares e sociais, bem como a promoção dos direitos”, assegura Sarah.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Anne Cristine Gomes da Silva, o CREAS como parte integrante da rede de atendimento, é quem presta assistência à vítima e suas famílias. “Assim que o encaminhamento é recebido existe uma articulação da equipe para implementação da medida aplicada. Normalmente a assistente social realiza a abordagem inicial através de visitas domiciliares e atendimentos sociais. As psicólogas realizam a entrevista psicológica e escuta especializada, bem como o acompanhamento da vítima e suas famílias. Atualmente, no CREAS, existem 283 casos em acompanhamento de crianças e adolescentes, entre vítimas de abuso sexual, negligência, violência física, violência psicológica e exploração sexual.”

A coordenadora do PAEFI destaca a vital importância do trabalho realizado pela instituição. “Além do amparo especializado oportunizado pelo CREAS, as famílias são acompanhadas por profissionais que, com competência técnica, desenvolvem ações para devolver a dignidade às pessoas. E para, além disso, os atendidos recebem atenção, amparo, solidariedade, humanização de uma equipe comprometida com as causas sociais”, pondera Tânia.

Canais de denúncia

Para evitar que o problema cresça ainda mais durante o isolamento e que esse aprendizado também se estenda para depois da pandemia, tendo em vista que esta situação não é excepcional deste momento, a população deve denunciar através dos canais disponibilizados:

– Disque 100: funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados, com discagem gratuita.

– Conselho Tutelar de Pato Branco: (46) 3220-6085 | 99108-8784 (Plantão 24 horas)|tutelar@patobranco.pr.gov.br.

– Centro de Referência Especializado de Assistência Social de Pato Branco– CREAS: (46) 3220-6082 | 3220-6083 (WhatsApp) | creas@patobranco.pr.gov.br.

– Aplicativo Proteja Brasil: disponível para download, gratuitamente, para iOS e Android.

– Ouvidoria Online: http://www.humanizaredes.gov.br/ouvidoria-online/.

Polícia Militar – 190: deve ser acionado em casos de necessidade imediata ou socorro rápido.

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